Meu Porto Seguro...

Depois de uma noite perturbadora, plena de curtas palavras porém significantes, eu aqui quero me entender.
Uma fragil brisa insiste em alisar os lados da janela do meu quarto, como se quisesse me dar um recado de alguem que inspira todas as minhas fantasias.


Antes mesmo de fixar algum ponto desse quadro vazio, me transformo em passado, quando eu pulava de alegria ao ver minha boneca preferida no alto da estante, onde tudo era extremamente
diferente e chegava até ter um pouco de sorte naquele labirinto que se chama amor. Amei sem saber que a dor morava perto dele. Amei sem ter que abrir mao de nenhum minimo valor. Eu era pequena, quase transparente. Foi ali que eu percebi que dentro de mim morava um mundo.
Um mundo de limitaçoes, banalidades e muito amor. Esse ultimo foi crescendo, como assim crescem as montanhas que chegam à abraçar as nuvens. Até se transformar na unica e melhor base do meu ser tao inquieto.

As minhas maos imploram a força que vem do seu alcançavel coraçao, tao duro, tao solido.
Mas um dia eu senti aquele pedaço que dentro de ti faltava. E conseguimos nos unir, mesmo por pouco tempo. Apertei quase assassinando o teu medo e quando me dei conta, percebi que estava apertando a sua respiraçao tao lenta e confortavel. Parecia uma cançao que aos poucos me fazia adormecer e te amar ainda mais.
Puxei com força teu braço, mas a sua pele lisa, tao macia, fez com que minha mao escorregasse até chegar nos teus dedos. Uma lagrima antecipada do desespero desceu no meu rosto. Como se fosse a ultima gota de agua no meio do deserto. Me vi nos seus olhos por um segundo e de repente voce nao estava mais là.
Chorei tanto que nao conseguia atender o telefone. Estava fraca, pobre de tristeza. Dentro de mim gritava o amor e a escuridao tomava conta do resto. Adormeci.
Acordei com o Sol molhando o meu rosto de luz. Olhei ao redor e logo percebi que estava no banheiro. Tudo azul...como o céu. Fiquei admirando emocionada e logo apòs me senti como um pàssaro, livre, mas preso à uma corrente que lhe puxava para baixo. Foi terrivel. Chorei até meus olhos secarem e.... jà estava dormindo outra vez.
Abri os olhos depois de um profundo pesadelo. Vi tudo azul. Achei que estava delirando. Me levantei com medo de outras armadilhas e fiquei de pé. Vi uma garota na minha frente. Parecia comigo, mas a aparencia nao estava nada agradavel. Havia os cabelos castanhos e embaraçados, olhos perdidos e vermelhos, inundados de agua.
Respirava como se fosse o ultimo fio de oxigenio. Espantada, percebi que era o meu reflexo. O espelho era grande, espaçoso. Porém nao conseguia ver nada ao meu redor além do azul, que brilhava como o mar. Foi ai que percebi que eu ja pertencia ao amor. Virou dependencia e motivo para jorrar lagrimas quando o coraçao apertasse.

Vivo por ele. Caminho porque ele està diante à mim na mais longa estrada que leva até a temida velhice.
Mas eu juro nao cair diante dos meus inimigos, nem tropeçar nas pedras ondem eles caminham. Se for pra ser humilhada, serei humilhada aos pés dele, do amor. Onde me achei nas mais profundas e escuras faces da terra.
Se um dia, a escuridao da cidade perdida querer me pegar, que tente. Se um dia a ventania que sopra para o leste querer vir me levar embora, que venha. Pertenço ao tempo, onde nada é certeza, nem mesmo minha alma que se apavora ao ver voce partir sem se atrever à olhar pra direçao que voce nao pretende mais seguir.

Nao tenho certeza do tempo. Mas o tempo tem certeza do meu desejo de querer ter o seu corpo. E os ponteiros passam devagar, quase parando.
Como se entendessem a necessidade e a minha vontade de estar ao seu lado. Pode a terra tremer. Pode o mar invadir todos os cantos do planeta, pode um tornado se alimentar de todas as coisas e levar com ele a ultima oraçao que cada ser humano leva com si: a esperança.

Mas se devo morrer, que eu morra com ele. Com meu unico e seguro porto. O AMOR.


Ludmila Andrade