Melancholia...


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Simples;
A vida me deu uma pequena rasteira e eu não me levantei.
Dobrei dois lençois no chão e encontrei meu canto.
Simples;
Deixa eu ficar nessa preguiça
nessa suave
melancolia.



Foto: Quadro de Matisse - Odalisque

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Noite...

Noite; tu és como eu. 
Não foi isso que me foi dito pelo seu vento?

Se tu és digna de ser coberta todos os dias por tamanha luz durante as manhãs,
 porque isso não me é merecido?

Noite,
diga logo que sou como as noites dos Pólos;
longas
agoniantes
obscuras e
miseravelmente pacientes.

Deverei eu viver com a esperança de um dia ser abrigada todas as manhãs também?
Ou deverei aceitar minha escuridão?



Enquanto isso
vou sonegando o amor.



Foto: Quadro de Van Gogh - Noite estrelada








Vida de um suspiro...

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Minha vida vai indo
como um suspiro;
Começa por uma lembrança
vive como uma dança
e atenua na vontade de uma mudança...

Adoçando uma distância indefinida

Aquela culpada, ou talvez a desculpa não dita
pra não culpar o excesso de orgulho.


Foto: Quadro de Salvador Dalì - La persistencia de la memoria

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Leve retorno...



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E se eu passar por ali um dia 
vou apagar o borrado
  do que não fizemos nos dias de Sol

Você caminhava em chão firme
E entrava em contraste com os seus proprios desejos.
Então te deixei ir.

O que mais eu poderia fazer pra você, meu amor?
O sol não brota à meia-noite
O perfeito que eu conheço não é pecador
A ilusão de uma beleza nao é aquela exterior


Mas tudo bem,
 tudo bem.

Foto: Quadro de Madre Isabel Guerra

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Onde Deus possa me ouvir...


"Sabe o que eu queria agora, meu bem...?
Sair chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo ou um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém.
 [...] 

Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior..."

Foto: Quadro de Munch - Noite em St. Cloud]


Cadeira...



Deixa eu me sentar em teu colo, cadeira. 
Só queria descansar um pouco do meu amor :
sabe, ele me deixou com as pernas meio exaustas.

Cadeira, porque Deus não te deu a capacidade de fazer repousar também o meu coração?

foto: Quadro de Van gogh


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Estar e querer ficar...





Ouvi o choro do menino. 
Eu sei, eu sei! 
Ele vinha detrás daqueles prédios antigos que cheiram à classicismo. 
Eu acho que ele carregava na mão uma flor um pouco feia.
Eu pensei em chorar também...
 mas sabia que meu choro nocivo ia calar meu silêncio. 
Então me amparei em mim e deixei que o silêncio me punisse de cuidado, de tristeza... de passado.
De obras bizarras, de quarto, de mim.
De livros, de homens, de saudade.


Então eu não fiz nada. 
Fiquei como sempre fico; 
sem saber o que eu sinto,
se é que eu sinto...
ou se só sinto muito.

Fiquei;
nesse tal pressentir.
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Foto: Quadro de Toulouse -Lautrec 

Bebendo mais um gole...

                                                                    Eu sei que ninguém está bem.


A verdade é que, eu só estou fugindo agora porque depois eu só irei sair viva, morta de amor.
A verdade é que, estou na minha estrategia: amor, se eu fujo é pra te encontrar um outro dia. Pensa se eu tivesse que ficar: iria criar duzentas historias sem criatividade pra chamar sua atenção e iria nascer o caos eterno: raiva, ciumes, descuido, ódio por um bom dia não dado ou por um dois no dado. Então deixa pra lá. Eu vou e você vá, eu num fá e você num lá. Lá menor. Daí iriamos cantar o começo daquela musica que um dia eu cantei pra você no maior amor do mundo, querendo a qualquer custo beber um gole do seu coração, desse seu amor um pouco sem jeito aí.
Mas acontece que eu estou fugindo por uma causa. E se durante minha caminhada eu encontrar o que sempre quis, eu vou estar feliz e em alguns dias serenos pensarei em ti. Mas se eu voltar de mãos vazias, não sei se retornarei pra você. Talvez você me tenha dado pouco. Um pouco muito menos daquilo que eu pensei que fosse um tanto maior. Mas não tem problema porque eu me salvei e ninguém tem mais culpa do que o tamanho mistério que tinha entre nós. Faltou talvez, confiar no amor.

Deixarei sua fotografia no terceiro andar, na segunda porta do primeiro canto à esquerda atrás da velho copo de cerveja; toda vez que eu for beber irei ver seu rosto, mas não vou chorar e nem me emocionar ao ponto de querer te amar outra vez. Apenas vou beber. Acho que já fiz muito pra que você entendesse que eu estava ali, pra te catar onde você caísse, pra te rancar das idiotices da vida e pra te dar meu colo; aquele que você poderia rejeitar quando quisesse. 

Mas agora é hora de beber, o liquido desce e pelo menos até antes de dormir eu vou sorrir e morrer de prazer. E se Deus quiser, isso irá valer pra todos os dias do amanhã. Minha linda.


FOTO: A lavandeira / quadro de Toulouse Lautrec 


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Entre London e amor...



London      -      03/06/1932

Doutor Walter;

A noite caiu tem pouco tempo... e eu fico preocupado com os meus tormentos noturnos. 
Soube por cima de panos que o Senhor anda frequentando o Doutor Freud no Juliet's Room na Wall Street em algumas manhas de domingo. 
Bem, irei direto ao assunto: tem quase 3 meses que estou sonhando com a mesma pessoa. Estou anotando na minha agenda pessoal os dias em que ela não vem me visitar durante as noites; de 120 dias Doutor,  ela deixou de vir somente em 6 dias. 
Mas acontece que, de tanto amor que eu sinto por aquela moça, eu decidi arrancá-la de mim.
Eu teimo durante as manhãs e as tardes, e então, ela raramente vem. Mas de noite, Doutor, de noite ela me dá um tapa na cara e me diz: "Deixa de ser otário, você não vê que eu sou sua? Que nossas vozes foram feitas para serem ouvidas juntas? Que o meu corpo ferve somente quando você me toca? Que nós viramos grandes árvores livres e soltas quando contamos os nossos segretos pra gente? Que as nossas noites de sexo sempre foram profundamente misteriosas? Quanto mais você tentar me esquecer, mais eu vou tentar te aquecer. Involuntariamente. Porque é assim que a nossa historia funciona."

Doutor, talvez ela possa ter razão, mas do que não podemos fugir? Da morte tenha certaza que é impossivel, mas do resto não. Tudo é fuga, tudo é nudez e cru e um pouco de coragem... e um pouco de amor próprio.

Desculpa pelo modo inconveniente que eu usei para que essa carta chegasse até o Senhor.  Falta de conveniência não faz parte de mim; mas pela urgência psicologica, tive que usá-la.

Tanti saluti;
Sam.                                                                    Continua




Pena...

"E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A Luz acesa
Lá se dorme um Sol em mim menor
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior "

O Teatro Mágico - Pena

Quase um tropeço...


"Tà vendo aquela menina, moço?"
"..."
"Ela costuma frequentar esse bar quase todos os dias. E pega sempre o mesmo café: El café au lait. Geralmente ela fixa a mesa por diversos minutos. Tem vezes que ela ri disfarçadamente de quem briga com as maquinas de bebidas. Outras vezes ela olha continuamente pra rua que se esconde atràs do vidro e iludida, retorna à acariciar a taça como se a sua esperança nao conseguisse ver outra coisa além dos passeios escuros e de esquinas abandonadas. E não tente ver de perto os olhos dela. Nunca tenha essa curiosidade. Os olhos delas te contam sobre uma solidão cruel que se materializa ao ponto de poder toca-la."
"..."
"E sabe qual é a pior parte disso tudo? E' que o motivo dessa tristeza deve estar por aì rindo alto e bebendo Brandy sem pena em um desses cabaret de esquina mal frequentada. Enfim... o amor sempre tem dois lados quando começa à perder os passos: o lado de quem ri desesperadamente com outros comuns e o lado de quem... é prisioneiro  do proprio interior. E esse ultimo sofre. Sofre por acaso, quase sem querer. Quase como um tropeço."


Foto: Automat - 1927 (Edward Hopper)


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Les feuilles mortes...


"Oh! je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux ou nous étions amis
En ce temps-la la vie était plus belle,
Et le soleil plus brűlant qu’aujourd’hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois, je n’ai pas oublié…
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emporte
Dans la nuit froide de l’oubli.
Tu vois, je n’ai pas oublié
La chanson que tu me chantais.

C’est une chanson qui nous ressemble
Toi, tu m’aimais et je t’aimais
Et nous vivions tous les deux ensemble
Toi qui m’aimais, moi qui t’aimais
Mais la vie sépare ceux qui s’aiment
Tout doucement, sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Les pas des amants désunis."




Dois amantes, pisando macio na areia de uma praia. Esperando o tempo comer o amor deles.
Mas eles nao pensam nisso; os olhos se perdem, o mar violentamente grita ondas e a boca pede.
Eles nao pensam. 
Mas um dia ele acordou sozinho com a pele bruta e disse: "Agora eu fico com o remorso e com aquela musica que ela constumava cantar; eu a cantarei, sempre. E' uma musica que parece com a gente, você me amava e eu te amava. E viviamos juntos. 
Você me amava e eu te amava. Mas a vida separa aqueles que se amam... docemente.
Sem fazer barulho.
E o mar apaga sob a areia os passos dos amantes mais unidos."