Eu sei que ninguém está bem.
A verdade é que, eu só estou fugindo agora porque depois eu só irei sair viva, morta de amor.
A verdade é que, estou na minha estrategia: amor, se eu fujo é pra te encontrar um outro dia. Pensa se eu tivesse que ficar: iria criar duzentas historias sem criatividade pra chamar sua atenção e iria nascer o caos eterno: raiva, ciumes, descuido, ódio por um bom dia não dado ou por um dois no dado. Então deixa pra lá. Eu vou e você vá, eu num fá e você num lá. Lá menor. Daí iriamos cantar o começo daquela musica que um dia eu cantei pra você no maior amor do mundo, querendo a qualquer custo beber um gole do seu coração, desse seu amor um pouco sem jeito aí.
Mas acontece que eu estou fugindo por uma causa. E se durante minha caminhada eu encontrar o que sempre quis, eu vou estar feliz e em alguns dias serenos pensarei em ti. Mas se eu voltar de mãos vazias, não sei se retornarei pra você. Talvez você me tenha dado pouco. Um pouco muito menos daquilo que eu pensei que fosse um tanto maior. Mas não tem problema porque eu me salvei e ninguém tem mais culpa do que o tamanho mistério que tinha entre nós. Faltou talvez, confiar no amor.
Deixarei sua fotografia no terceiro andar, na segunda porta do primeiro canto à esquerda atrás da velho copo de cerveja; toda vez que eu for beber irei ver seu rosto, mas não vou chorar e nem me emocionar ao ponto de querer te amar outra vez. Apenas vou beber. Acho que já fiz muito pra que você entendesse que eu estava ali, pra te catar onde você caísse, pra te rancar das idiotices da vida e pra te dar meu colo; aquele que você poderia rejeitar quando quisesse.
Mas agora é hora de beber, o liquido desce e pelo menos até antes de dormir eu vou sorrir e morrer de prazer. E se Deus quiser, isso irá valer pra todos os dias do amanhã. Minha linda.
FOTO: A lavandeira / quadro de Toulouse Lautrec
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