
"Tà vendo aquela menina, moço?"
"..."
"Ela costuma frequentar esse bar quase todos os dias. E pega sempre o mesmo café: El café au lait. Geralmente ela fixa a mesa por diversos minutos. Tem vezes que ela ri disfarçadamente de quem briga com as maquinas de bebidas. Outras vezes ela olha continuamente pra rua que se esconde atràs do vidro e iludida, retorna à acariciar a taça como se a sua esperança nao conseguisse ver outra coisa além dos passeios escuros e de esquinas abandonadas. E não tente ver de perto os olhos dela. Nunca tenha essa curiosidade. Os olhos delas te contam sobre uma solidão cruel que se materializa ao ponto de poder toca-la."
"..."
"E sabe qual é a pior parte disso tudo? E' que o motivo dessa tristeza deve estar por aì rindo alto e bebendo Brandy sem pena em um desses cabaret de esquina mal frequentada. Enfim... o amor sempre tem dois lados quando começa à perder os passos: o lado de quem ri desesperadamente com outros comuns e o lado de quem... é prisioneiro do proprio interior. E esse ultimo sofre. Sofre por acaso, quase sem querer. Quase como um tropeço."
Foto: Automat - 1927 (Edward Hopper)
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